Jean-Luc Godard [1967]
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Aniversário *
2005, GUSTAV LEONHARDT
a beleza habita sobre a terra,
tão urgente e impronunciável
como o rosto em trompe l’oeil
na abóbada da igreja de São Roque.
Com isto, estarei talvez a fazer
a mesma triste figura da rapariga espanhola
que ao meu lado rabiscava poemas
dialécticos – «Argumentos» e Contra-
Argumentos» velozmente incinerados
pela fundamentação física do génio.
Nós, poetas, só escrevemos disparates.
A beleza, dizia eu. Mas os meus pés,
o seu indiscutível peso sobre a terra,
coincidiam com o mármore da sepultura
número 44 (dois terços de paixão, outro de pó).
E aquele homem ajudava-nos a morrer
melhor.
Manuel de Freitas, Jukebox 1 & 2,
Lisboa, Teatro de Vila Real, 2009
* Gustav Leonhardt, 30/05/1928 - 16/01/2012
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
AVERNO | ALAMBIQUE 2015
Os nossos livros de 2015
- SMALL SONG, de Renata Correia Botelho, com ilustrações de Daniela Gomes (2.ª ed. revista, Alambique);
- PERDA DE INVENTÁRIO, de Marta Chaves, com separata de Maria Manuel Viana (Alambique);
- ÚSNEA, de Abel Neves, com uma fotografia de José Francisco Azevedo na capa (Averno);
- DEUS E OUTROS ANIMAIS, de Rui Caeiro, com organização de Delfim Lopes, posfácio de José Ángel Cilleruelo e ilustrações de Bárbara Assis Pacheco (Averno);
- RÃ, de José Carlos Soares, com capa e ilustração de João Concha (Alambique);
- PÁSSARO-LYRA (Primeiro Tomo da Suma Poética), de António Barahona (Averno);
- SUNNY BAR, de Manuel de Freitas, com organização de Rui Pires Cabral, posfácio de Silvina Rodrigues Lopes e capa de Luís Henriques (Alambique);
- AMANHÃ LOGO SE VÊ, de Vítor Nogueira, com capa de Adriana Molder (Averno);
- COMO UM HIATO NA RESPIRAÇÃO - DIÁRIO DO DIA SEGUINTE, de João Barrento, com capa sobre desenho de Catarina Domingues (Averno);
- TELHADOS DE VIDRO n.º 20, com separata de Adília Lopes (Averno);
- OS MEUS PAIS: ROMEU E JULIETA, de Pablo Fidalgo Lareo, com tradução de Manuel de Freitas e capa de José Francisco Azevedo (Averno);
- CAL, de Paulo da Costa Domingos (Averno);
- LVMINARIA, de Luis Manuel Gaspar, com capa de José Escada (2.ª ed. revista, Alambique);
- INCIPIT, de Manuel de Freitas
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
CHÃO ANTIGO
para o António Manuel Couto Viana
esses lugares imundos – puros, quero eu
dizer – onde a morte entrava
sem ter de pedir licença.
Lugares onde eram por igual sinceros
o sono, o vómito ou a sombra de um abraço
(Mayakovsky e Céline tinham a mesma importância
e a sorte de não serem futebolistas).
É pena que já não possamos
comemorar no chão a derrota
do corpo pela manhã. Ao lavarem
os copos, da última vez, houve duas
ou três gerações que se partiram.
Talvez eu pertencesse a uma delas – mas
isso, ao poema, importa muito pouco.
Há um lugar que escreve sobre
a ausência de todos os lugares.
Tonéis de vários tamanhos
onde inscrevi, por distracção,
o único nome verdadeiro.
Estou a falar, naturalmente,
de tabernas.
Mas talvez não seja apenas isso.
Manuel de Freitas, A Flor dos Terramotos,
com capa de Sérgio Eloy e arranjo gráfico de Olímpio Ferreira,
Lisboa, Averno, 2005
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
#8
Luis Manuel Gaspar, LVMINARIA,
2.ª ed. revista, com capa de José Escada e arranjo gráfico de Inês Mateus,
Lisboa: Alambique, 2015
sábado, 24 de outubro de 2015
LUIS MANUEL GASPAR
Luis Manuel Gaspar, Luz Acesa nos Bastidores,
Palacete dos Viscondes de Balsemão, Praça de Carlos Alberto, 71, Porto
24 Out.-24 Nov. 2015, 2.ª a 6.ª feira, 9:00h- 20:00h
design © Luísa Martelo
terça-feira, 20 de outubro de 2015
TE DEUM
II
Havia, portanto, uma cidade
onde os nossos corpos se cansavamsofregamente de ser jovens.
Recomeçava, de cada vez, a morte.
Sabíamo‑lo. A regra, porém,
é antes esquecer, ficar. Como poderia
levar‑vos a mal? De um lado vocês
e a vida — e eu nesse outro em que se
não vive nem morre a demora de estar ainda.
Atravesso o jardim do Cartaxo
como um estrangeiro, alguém
que não viu as garrafas partirem‑se
contra a madrugada — e, se acendo
um charro, partilho‑o com as paredes,
esqueço‑me de que tenho mãos.
Pedro, Paulo — onde quer que estejam —,
eu sei que dizer muito baixinho
la muy hermosa é o suficiente para que
o paraíso reabra e o inferno (o mesmo)
se torne de novo possível. Contornando
o bilhar russo, o Carlos traz‑nos
mais três ginjas, um sorriso com sotaque,
o céu estrelado que nos mata.
A seguir, bem sabem, pago eu.
Manuel de Freitas
in Sunny Bar, com sel. de Rui Pires Cabral, posfácio de Silvina Rodrigues Lopes,
capa de Luís Henriques e arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa: Alambique, 2015
capa de Luís Henriques e arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa: Alambique, 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)


