quinta-feira, 1 de março de 2018

#9


(IN)QUIETUDE


o tempo quieto numa livraria
soa a um poema escrito por um piano velho
nem lhe cai dedo cansado
nem escreve som verbal
sem ensurdecer teclas negras
no voo circular das moscas
as lombadas tombam em espinha
estantes erectas esperam por mãos
a poeira cria radículas
não ouve
o piano
os insectos
sempre é assim
máscaras e estatuetas
desesperam por áfricas
é o corpo todo em baloiço
sobre uma cauda
verde e raso momento
o tempo quieto numa livraria.




Miguel de Carvalho, Neste estabelecimento não há lugares sentados,
com arranjo gráfico de Inês Mateus,
Lisboa, Alambique, 2016

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

#14




Roberto Piva, Paranóia,
com fotografias de Mafalda Capela e arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa, Alambique, 2018

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Há um lugar que escreve sobre
a ausência de todos os lugares.
[...]


- MANUEL DE FREITAS