quinta-feira, 29 de novembro de 2018

#15




Ricardo Tiago Moura, Cruzes,
com capa de Daniela Gomes e arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa, Alambique, 2018

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

"Ho iniziato a scrivere un poema su di te,
ma ho dimenticato la tua faccia


Manuel de Freitas, Game Over,
2.ª ed., Lisboa, Alambique, 2017

terça-feira, 4 de setembro de 2018



Silvina Rodrigues Lopes
no posfácio a Manuel de Freitas, Sunny Bar,
com org. de Rui Pires Cabral, Lisboa, Alambique, 2015

terça-feira, 29 de maio de 2018

Paralelo W





BAR ALTO


Quem acreditará comigo na improvável
canção que a todos espera?
Findara a noite.
E não era uma questão de geometria,
de averiguar em cada gesto
a espessura da cor, a sua perda.
Macio, porém, o vinho
que nos prolongava a voz: Douro,
um Lello sem escadas subido
(só tu, meu amigo, perceberás estes versos).

Deixei cair o guardanapo, o atilho
breve do sapato, um boné
próximo de Morandi. Tutto velo,
dizia o caderno, pão com citrino
ao lado, em tamanho mínimo.
E esse enigma, a negro;
talvez apenas o lápis do acaso,
capaz ainda de traçar a rota
dos bares, as consequências do fim,
o bordel onde nos espera Deus.

Como se bebe aqui?
Lembrei-me então de Silver Jews,
o disco que não mostrei nem ouvi,
e que certamente não despertaria
a estima do filho primogénito de Bach.
Enquanto na mesa ao lado falavam
de futebol e de futebol. Morrerão,
como nós, sob ameaça de "olhar limpo".

As coisas deste mundo? Prefiro falar
do precipício concreto
de um abraço.


Manuel de Freitas, Sunny Bar,
sel. de Rui Pires Cabral, posfácio de Silvina Rodrigues Lopes,
capa de Luís Henriques e arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa, Alambique, 22 de Maio de 2015

quinta-feira, 1 de março de 2018

#9


(IN)QUIETUDE


o tempo quieto numa livraria
soa a um poema escrito por um piano velho
nem lhe cai dedo cansado
nem escreve som verbal
sem ensurdecer teclas negras
no voo circular das moscas
as lombadas tombam em espinha
estantes erectas esperam por mãos
a poeira cria radículas
não ouve
o piano
os insectos
sempre é assim
máscaras e estatuetas
desesperam por áfricas
é o corpo todo em baloiço
sobre uma cauda
verde e raso momento
o tempo quieto numa livraria.




Miguel de Carvalho, Neste estabelecimento não há lugares sentados,
com arranjo gráfico de Inês Mateus,
Lisboa, Alambique, 2016